Amada (Crítica)

Por Natasha Maya*

O filme lançado no Festival de Veneza desse ano, trata de um tema que só pode ser referente às mulheres :a maternidade, por isso elas são as responsáveis pela realização e brilho do mesmo.

Obras de arte em sua imensa maioria têm o que se denominou chamar ” male gaze ” ( olhar masculino) e as mulheres são degraus para o desenvolvimento de suas jornadas. Aqui as narrativas são femininas.

As vidas de Nunzia e Maddalena giram,  são tocadas e acabam se entrelaçando por essa questão.

Cabe aqui elogiar o desempenho das atrizes Tecla Insolia e Miriam Leone. A primeira como uma adolescente de 19 anos que se vê grávida e totalmente sozinha, a segunda como uma mulher casada de quarenta anos que sofre por não poder ter filhos.

A frase de abertura:” O mundo nunca está preparado para receber uma criança ” é muito adequada ao tema apresentado.

Daqui para frente terão spoilers

Nunzia descobre sua gestação com mais de três meses e pela lei está proibida de interromper a mesma. Não sabe quem é o pai da criança,  já que levava uma vida de festas e ficantes. Todos seus planos de terminar a faculdade, morar em um apartamento cheio de livros e crescer profissionalmente vão para o espaço.

Maddalena tem um casamento de longa data , fora os dez anos de noivado. Seu marido é um músico de destaque e ela também é bem sucedida profissionalmente. Isso tudo não lhe traz felicidade, pois não consegue ser mãe e já sofreu vários abortos espontâneos. A cena em que isso acontece pela terceira vez, sozinha em um banheiro é desesperadora.

Do mesmo modo, quando Nunzia sai da pensão aonde se escondeu das amigas, sem ninguém, andando e sentindo as dores do parto para dar à luz uma criança que havia decidido não criar é terrível. As mesmas só podem ser tão impactantes graças às atuações das atrizes.

O roteiro de Ilaria Bernadini toca fundo nessa questão da solidão da mulher em suas escolhas e em vários momentos de suas vidas.  A maternidade não é algo natural para todas, embora as médicas o digam para a adolescente, e até mesmo para quem a  deseja muito é um aprendizado.

Por isso mesmo tudo muda, as decisões ou pelo menos o sentimento em relação a elas vão se inverter como se os papéis das mulheres fossem trocados.

O próprio casamento da mulher mais velha é posto em cheque, atitudes do passado e presente descobertas por seu esposo quase causam uma separacão, e conforme o processo da fila para adoção vai caminhando Maddalena se assusta com a responsabilidade que vislumbra.

Pelo menos temporariamente…

Entre o amor de mãe que surge ao ver a filha e faz jorrar leite do peito e o saber que não tem condições financeiras, emocionais e familiares para criar uma criança tem um raciocínio e um sentimento. Afinal, dar para adoção nesse caso é um ato de amor, é pensar no melhor para si e a filha, a pequena Margherita. A cena final mostra a jovem em paz com sua decisão, ainda que dolorosa.

O filme está sendo exibido atualmente na 20ª edição do Festival de Cinema Italiano no Brasil /2025. De 29/10 a 29/11/2025.  Toda a programação é gratuita no site.

*Carioca, jornalista e crítica de cinema. Apaixonada por artes em geral especialmente cinema, que vejo como uma forma de expandir a visão de mundo.

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