Paisà (Crítica)

Filmado em 1946, permanece ainda como referência das humanidades no pós guerra

Por Natasha Maya*

Esse que é o segundo filme da “ Trilogia da Guerra “ de Rosselini, inserido no movimento do neorealismo italiano,  está na mostra de cinema coberta pelo Tem que ver cinema.

O roteiro é dividido em seis estórias, que se fossem desenvolvidas poderiam render um filme cada uma. O diretor dividiu o mesmo, dentre outros autores, com Federico Fellini. Aliás, Giulietta Masina faz uma ponta não creditada no terceiro episódio.

 Todas tem como ponto de partida a interação entre soldados americanos e civis italianos, em uma Itália ocupada pelos nazistas, nos últimos anos da segunda guerra mundial. E é nesse cenário de destruição, medo, morte, fome e caos que conflitos humanos acontecem, mostrando a universalidade e atemporalidade dos mesmos.

O título Paisà vem do italiano “ compatriota”  é uma palavra usada em quase todos os episódios, como um elo de ligação entre os povos. O americano é sempre o herói, o que não era ruim naquela situação, pelo contrário. É o homem que pode tirar uma moça da prostituição, o amigo mais velho que traz um pouco de alegria cantando blues e brincando com um menino órfão, é a enfermeira que arrisca a vida para encontrar seu amado que luta na resistência ou um padre que tenta mostrar a um grupo de monges franciscanos o quanto seu preconceito religioso não combina com a fé cristã.

É especialmente tocante o terceiro episódio, aonde um soldado negro se queixa de sua casa, diz não querer voltar para a mesma por ser um barraco. Está bêbado e revela sonhos de grandeza aonde se vê em Manhattan,um menino italiano aproveita seu sono e rouba suas botas. Furioso o homem vai atrás da criança e quando a encontra vê que seus pais morreram, vive com um grupo de pessoas em meio a casas demolidas. Então se dá conta do valor do que tem.

A  fotografia crua em preto e branco e o uso de atores não profissionais,  que perpassa toda a trilogia da qual essa obra faz parte não é por acaso. O diretor queria que seus filmes tivessem um tom documental, tanto que registros reais do conflito se misturam às ruínas de Nápoles,  Roma e Florença.

O filme está sendo exibido atualmente na 20ª edição do Festival de Cinema Italiano no Brasil /2025. De 29/10 a 29/11/2025.  Toda a programação é gratuita no site.

*Carioca, jornalista e crítica de cinema. Apaixonada por artes em geral especialmente cinema, que vejo como uma forma de expandir a visão de mundo.

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