A Geração de Influencers que Passou a Decidir o Salário dos Professores

Por Raphael Alves*

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Pessoal, antes de falar sobre o Lucas Pavanato e sobre o vídeo em que ele aparece chamando professor de vagabundo dentro da Câmara de São Paulo, vale olhar com calma para o caminho que colocou um rapaz como ele naquele lugar. Não estamos falando apenas de um vereador fazendo barulho para internet.

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Estamos falando de um jovem sem trajetória profissional concreta, sem produção intelectual, sem experiência pública relevante, recebendo autoridade para decidir questões que afetam diretamente a vida de milhares de trabalhadores.

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Como professor, é impossível não reconhecer imediatamente o tipo de jovem que se identifica com esse comportamento. Pavanato lembra muito aquele aluno que transforma provocação em carisma dentro da sala. O que interrompe, debocha, desafia qualquer figura de autoridade e faz parte da turma rir porque aparenta coragem.

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Muitos adolescentes enxergam nisso uma espécie de força “antissistema”, quando na verdade boa parte dessa postura nasce de revolta mal elaborada, frustração e necessidade constante de validação.

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A internet potencializou isso num nível absurdo. Esses jovens cresceram vendo estilos de vida inalcançáveis, riqueza instantânea, fama e performance o tempo inteiro. A vida real quase nunca acompanha essa promessa. Surge então uma indignação difusa, uma sensação permanente de fracasso e deslocamento. Só que refletir profundamente sobre a origem desse desconforto exige repertório, maturidade e disposição para encarar questões complexas. É muito mais fácil encontrar alguém que transforme essa frustração em espetáculo.

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Pavanato faz exatamente isso. Ele debocha, simplifica, cria inimigos fáceis e oferece identificação emocional rápida. O professor vira símbolo de tudo aquilo que esse tipo de discurso odeia: reflexão, mediação, complexidade, limite.

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A política, claro, absorveu completamente a lógica do influencer. Importa menos a experiência do que a capacidade de viralizar. E talvez o mais preocupante seja perceber quantos jovens passaram a enxergar arrogância, superficialidade e desrespeito não como limitação, mas como autenticidade.

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*Professor e Doutor em Educação pela UFPE (Instagram)

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