ARGENTINA - COPA DO MUNDO DE CINEMA

Grupo J: Argélia, Argentina, Áustria e Jordânia

Tricampeã (1978, 1986 e 2022), a seleção da Argentina chegou à América do Norte para participar de sua 19° Copa do Mundo da FIFA com o objetivo de defender o título conquistado no Catar. Para isso, La Albiceleste manteve a espinha dorsal da equipe vencedora há quatro anos, cujos protagonistas são craque semideus Lionel Messi e o técnico Lionel Scaloni.

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A Argentina fez a melhor campanha disparada nas Eliminatórias da América do Sul e é atual campeã da Copa América, o que obviamente a credenciou a disputar mais um Mundial com a moral elevada. O resultado é mais uma final, coroando uma campanha que, mesmo repleta de tensão, viradas e controversas em campo, reforça o espírito guerreiro dos argentinos, que nunca se entregam até o último minuto de jogo.

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No campo cinematográfico, a Argentina também ocupa um lugar de proeminência a nível internacional. Em 18 de julho de 1896, no Teatro Odeón, em Buenos Aires, ocorreu a primeira exibição de um filme em território argentino, tendo sido utilizado o cinematógrafo criado pelos irmãos Lumière. Na oportunidade foram exibidos os célebres curtas-metragens que estrearam no ano anterior, na França. La Bandera Argentina foi o primeiro curta-metragem produzido no país, em 1897, pelo francês Eugene Py. Em 1909, o italiano Mario Gallo dirigiu El Fusilamiento de Dorrego, o primeiro filme ficcional argentino - hoje tido como uma obra perdida, infelizmente. Apenas em 1914 seria feito o primeiro longa no país, Amalia, de Enrique García Velloso.

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Um dos capítulos mais importantes da história do cinema argentino (e mundial) viria a ocorrer em 1917, ano de lançamento de O Apóstol. Dirigido pelo cartunista italiano Quirino Cristiani, o filme é considerado o primeiro longa-metragem de animação da história do cinema. Consistia numa sátira ao então presidente argentino, Hipólito Yrigoyen; o filme acabou destruído em um incêndio e o que sobrou dele foi sua história, reportagens da época sobre sua exibição e a arte conceitual dos personagens. As técnicas utilizadas foram animação de silhuetas e o stop motion.

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Em 1931, o cinema sonoro chega à Argentina, e a primeira obra feita foi Muñequitas Porteñas. A partir de 1942, o cinema argentino passou a sofrer dificuldades devido à suspensão da importação de película para a realização de filmes, uma retaliação dos Estados Unidos em virtude da posição de neutralidade durante a Segunda Guerra Mundial. Após o fim do conflito e a eleição de Juan Domingo Perón, o cinema local ganha novo fôlego com a promulgação da Lei de Cinema, em 1946 - como resultado, em 1950 foram produzidos 58 filmes no país, um recorde. No entanto, essa fase virtuosa acaba sendo interrompida pelo golpe militar que deu fim ao peronismo em 1955. Nos dois anos seguintes de ditadura, nenhum filme argentino foi lançado, e houve perseguições a pessoas ligadas à indústria cinematográfica.

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Passado esse biênio tenebroso, em 1957 são retomadas as atividades do cinema nacional, com novos diretores e novas ideias, cuja filmografia, na década de 1960, passaria a participar de festivais internacionais. Nos anos 1980, ganham destaque nomes como Luis Puenzo, diretor do longa A História Oficial, de 1985, que deu o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, bem como María Luisa Bemberg, diretora do longa Camila, de 1984.

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Nos anos 1990 surge o chamado Nuevo Cine Argentino, movimento marcado pelo caráter independente das produções. Seu precursor foi o cineasta Martín Rejtman, que dirigiu, em 1992, o longa Rapado. Mas seria apenas a partir de 1998 que os filmes desse movimento começaram a se difundir internacionalmente, com o pioneirismo em termos de premiações cabendo a Pizza, Cerveja, Cigarro, de Bruno Stagnaro e Israel Adrián Caetano. Em 2009, O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella, longa que ganhou o Oscar Mehor Filme em Língua estrangeira, o segundo do país. Protagonizado por estrelas como Ricardo Darín, Solidão Villamil e Guillermo Francella, o filme teve mais 2 milhões de espectadores, convertendo-se no segundo filme argentino de maior bilheteria de todos os tempos.

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O representante argentino na Copa do Mundo de Cinema do TemQueVer e do Cine Mulholland é uma obra singular, dirigida por Lucrecia Martel, um dos principais nomes da sétima arte em toda a história do cinema na Argentina: O Pântano (cujo título original em espanhol é La Ciénaga), disponível na Mubi. Neste longa-metragem, lançado em 2001, a cineasta expõe uma anatomia da decadência burguesa na província de Salta, no noroeste do país.

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À época de seu lançamento, a Argentina caminhava a passos largos para a catastrófica crise econômica e social de dezembro de 2001. No plano cinematográfico, o país vinha de uma tradição marcada por um cinema comercial de estúdio esgotado, ou, então, por alegorias políticas excessivamente literais do pós-ditadura. Lucrecia Martel, ao lado de diretores como Pablo Trapero e Israel Adrián Caetano, implode essa lógica. O Pântano torna-se a certidão de batismo estética do chamado Nuevo Cine Argentino. Em vez de focar na macroeconomia ou no panfletarismo político, Martel escolheu o microcosmo: duas famílias de classe média-alta em visível ruína material e moral durante um verão sufocante. A política aqui não está no discurso, mas na negligência, no tédio, nas relações de poder domésticas e no racismo velado contra os empregados etnicamente pertencentes aos povos originários do país.

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