Por Davi Jardim*
No meio da noite profética encontrei Kerouacsentado num banco de conveniênciana beira da estrada
ele falou seu nomemas eu já sabia
o vento cantava como anjo naquela parte deserta do Arkansas
“não para de fazer o que te faz mais feliz”,ele disse
ele tinha uma generosa fatia de torta de maçãe uma grande xícara de café
a cidade dormiamas dentro de mim tudo era vivo
sentado com Santo Kerouacolhando direto para Deusele ria baixoparecia tão perfeitonaquela chance única
“viva torto mesmonão espere respostasé assim que vivem os santos”
tomei mais uma xícara com elefumei outro cigarro
quando acordeinão havia conveniêncianem banconem Kerouac
só uma urgência latentede fazer o passadovoltar a ser prioridade
*Davi Jardim nasceu em 1987 no Rio de Janeiro. Com onze anos de idade mudou-se para o Rio Grande do Sul, terra dos seus pais. Tendo alma inquieta, desde cedo buscou na arte um jeito de se expressar, primeiro através da música, depois através da escrita. Pensadores como Darcy Ribeiro, Gore Vidal e Norman Mailer, que liam a realidade social a partir de uma visão progressista foram sua grande inspiração, por isto decidiu fazer História. Cursou então História na Unisinos e é professor na rede estadual há onze anos. Publicou dois livros de poesia: “Hino da Tormenta” e “Retorno ao Silêncio”. Acredita muito que, entre outros poderes, a Poesia tem a capacidade de tornar mais suave a vida e até revelar coisas novas a quem ela chega.
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