Por Álvaro Nicotti*
Antes de assistir a Toy Story 5, li e ouvi algumas críticas de especialistas. Chamou minha atenção o tom predominantemente técnico de muitas delas: “um bom filme, mas com um roteiro que poderia entregar mais”; ou que, apesar de incorporar elementos atuais da nossa realidade — como a presença do novo brinquedo tecnológico na vida da menina (o inevitável tablet/celular) —, a animação seria apenas mais um caça-níquel produzido para manter uma franquia milionária.
Não pretendo discutir essas análises. O que quero dizer é algo muito mais simples: eu me diverti muito assistindo a Toy Story 5.
A nova animação claramente não foi feita apenas para as crianças. Ela conversa também com os adultos que cresceram acompanhando Woody, Buzz e toda a turma. Não por acaso, a primeira criança de Woody já é um adulto. Nós também crescemos.
Mas o filme vai além das risadas e da nostalgia. Ele propõe uma reflexão delicada sobre a presença da tecnologia na infância e mostra que ainda há espaço para a imaginação florescer. A maneira como Toy Story 5 retrata as brincadeiras com os brinquedos “analógicos” é um dos seus maiores acertos. Boa parte da animação mergulha justamente nesse universo invisível da imaginação infantil, onde cada brinquedo ganha vida por meio da criatividade das crianças.
Ao mesmo tempo, o filme evita cair na armadilha de demonizar a tecnologia. Em vez disso, sugere algo muito mais sensato: aprender a conviver com ela. Regras, tempo de uso e escolhas conscientes sobre o que assistir, jogar e consumir aparecem como caminhos possíveis para equilibrar esse novo cotidiano. Afinal, jogos e games adequados também podem estimular a criatividade e ampliar o repertório imaginativo das crianças.
Isso não significa que a animação ignore os problemas das redes sociais e do uso excessivo das telas. Ainda que de forma protocolar — afinal, estamos falando de um blockbuster de um grande estúdio estadunidense —, há uma cena particularmente impactante ao mostrar como um dispositivo pode provocar tristeza e fazer uma criança chorar. Em poucos segundos, o filme sintetiza uma das questões mais delicadas da infância contemporânea.
Ainda é cedo para dizer onde Toy Story 5 se encaixa entre os demais filmes da franquia. Preciso assisti-lo mais algumas vezes. Por enquanto, meu ranking continua assim:
- Toy Story 3
- Toy Story
- Toy Story 4
- Toy Story 2
*Professor, pesquisador e editor do TemQueVer
PARATICIPE DE CONVERSAS SOBRE CINEMA E CULTURA NO NOSSO GRUPO DO WHATSAPP (Clique aqui)
SEGUE NO INSTAGRAM
Quer escrever para o TemQueVer? Entre em contato conosco através do chat de nossas redes sociais (Instagram e Facebook) ou pelo email temquevercinema@gmail.com











