Por Álvaro Nicotti
Um dos filmes que mais me chamou a atenção nesta 4ª edição do EcoBarão, festival de cinema do IEE Barão de Tramandaí, foi “Uma História Lamentável”.
Um dos grandes destaques é o roteiro, escrito pelo estudante Angelo Francisco, que consegue fazer uma adaptação interessante da obra de Fiódor Dostoiévski.
E é justamente aí que está o mais bacana: roteirizar Dostoiévski não é tarefa simples. Conseguir transportar para o cinema sua crítica social, mantendo o conflito entre as classes e a ironia presente na obra, e ainda acrescentar diálogos que, em alguns momentos, lembram o estilo de Tarantino, é algo que merece ser reconhecido e parabenizado.
Tendo a Casa Colarte como locação da produção, o filme conta a história de um respeitado general russo que decide provar que é próximo do povo pobre e comum de sua época ao comparecer ao casamento de um de seus subordinados. O problema é que sua arrogância e sua completa incapacidade de perceber que está errado acabam transformando sua tentativa de aproximação em um verdadeiro desastre.
E é justamente nesse desastre que está a força da história: um homem que acredita estar demonstrando humanidade, mas não consegue enxergar o abismo social que o separa daqueles que pretende “humanizar”.
Dostoiévski já fazia essa crítica em 1862. A adaptação mostra como ela continua atual.
****
PARATICIPE DE CONVERSAS SOBRE CINEMA E CULTURA NO NOSSO GRUPO DO WHATSAPP (Clique aqui)
SEGUE NO INSTAGRAM
Quer escrever para o TemQueVer? Entre em contato conosco através do chat de nossas redes sociais (Instagram e Facebook) ou pelo email temquevercinema@gmail.com











