MÉXICO – COPA DO MUNDO DE CINEMA

Grupo A: México, África do Sul, Coreia do Sul e Tchéquia

Conhecida como La Tri, a seleção mexicana chega à sua 18° participação em Copas do Mundo da FIFA. Em 2026, o México sediará pela terceira vez o torneio máximo do futebol, recorde absoluto.

O país foi anfitrião da Copa do Mundo nas edições de 1970 e 1986, ocasiões em que chegou às quartas de final, até hoje a sua melhor campanha em mundiais. Comandado pelo técnico Javier Aguirre, o México não precisou disputar as Eliminatórias da Concacaf por ser um dos três países-sede da maior Copa da história.

Se dentro das quatro linhas futebolísticas o desempenho mexicano é limitado, no campo da sétima arte o México é uma das grandes referências na América Latina. Todavia, o cinema ganhou densidade no país tardiamente, mais especificamente a partir das décadas de 1930 a 1950. Nos anos 1940, chegou a exercer protagonismo e forte influência a nível latino-americano, muito em virtude dos esforços concentrados de Hollywood na produção de “filmes de propaganda” em razão da Segunda Guerra Mundial.

Na chamada Era de Ouro do cinema mexicano, os nomes de Emilio Fernández, Luís Buñuel, Pedro Infante, Cantinflas, irmãos Valdés (Ramón, Manuel e Germán), Maria Félix e Dolores del Río acabaram sendo eternizados. 

Após um hiato histórico de mais de 30 anos, o Nuevo Cine Mexicano, no início da década de 1990, marcou o renascimento da arte cinematográfica no país, apresentando nomes como Guillermo del Toro, Alejandro González Iñárritu, Alfonso Cuarón e Carlos Reygadas, cuja ousadia de seus projeto logo os levaram ser convidados a aceitar importantes projetos além das fronteiras nacionais; até hoje, todos eles são celebrados mundo afora como cineastas verdadeiramente autorais. Por sua vez, na contemporaneidade, Tatiana Huezo, Lila Avilés, Michel Franco e Alonso Ruizpalacios acabam assumindo esse lugar de destaque na cena audiovisual. 

Na Copa do Mundo de Cinema promovida pelo TemQueVer Cinema em parceria com o Cine Mulholland, escalamos Ya No Estoy Aquí, longa-metragem dirigido por Fernando Frías de la Parra, lançado em 2019. Disponível na Netflix, o filme venceu o Festival de Cinema de Tribeca na Competição Internacional, o Festival Internacional de Cinema do Cairo e 10 estatuetas do Prêmio Ariel, tido como a principal disputa da indústria cinematográfica mexicana. Tamanha repercussão o levou a ser a obra indicada para representar o país no Oscar – embora, infelizmente, não veio a sonhada consagração com a vaga entre os cinco concorrentes a Melhor Filme Internacional.

Ya No Estoy Aquí não é apenas um filme sobre a subcultura da cumbia rebajada oriunda da cidade de Monterrey, no estado de Nuevo León; na verdade, trata-se de uma das radiografias sociopolíticas mais sofisticadas e esteticamente disruptivas do cinema mexicano contemporâneo. Para compreender sua importância, precisamos olhar além da superfície excêntrica do penteado estilizado e das roupas largas de seu protagonista, Ulises (Juan Daniel García Treviño). O longa reposiciona três eixos fundamentais do cinema mexicano e latino-americano: a representação da violência social, a identidade cultural frente à globalização e a própria abordagem sobre o tempo no cinema.

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