*Por Leonardo Lima
Neste 1º de junho de 2026, surfando no vasto e intrépido oceano virtual, movidos pela resiliência de quem sabe fazer a hora e não espera acontecer, comemoramos o sexto ano de existência do nosso estimado TemQueVer, nascido durante o calamitoso período da pandemia que assolou o planeta em 2020.
Ao olharmos para a trajetória do site, não estamos a acompanhar impávidos, deitados em berço esplêndido, o escoar das areias do tempo. Na verdade, valorizamos em escala intangível e inegociável a importância de um espaço que, aos poucos, foi se transformando num refúgio à prática do agir comunicativo habermasiano, que busca o consenso através do diálogo e da evocação de argumentos válidos, visando, em última instância, a construção de uma esfera pública democrática, livre e participativa.
No TemQueVer, esse processo ganha corpo e densidade por meio do escrever e do falar; textos, vídeos, discussões coletivas à distância ou presencialmente são os índices que materializam a teoria na práxis cotidiana, levada a efeito por um modesto portal, oriundo do litoral norte gaúcho, destinado a extrapolar as fronteiras do pequeno município de Imbé, levando ao Brasil e ao mundo o melhor da análise sobre cinema, arte, cultura, educação e meio ambiente.
Ao longo desses seis anos de presença na internet, vimos algoritmos mudarem, plataformas nascerem e morrerem e a pressa ditar o ritmo de consumo da informação – consumo este, na maior parte das vezes, acrítico. No entanto, o TemQueVer resistiu e floresceu. O que o site propõe não é a velocidade efêmera do feed, mas, sim, o convite a uma curadoria do olhar, conforme implícito em seu próprio nome. É um espaço que diz ao leitor, com delicadeza e firmeza: “Pare um instante. Olhe aqui. Isso importa.”
Sob uma ótica avaliativa, o amadurecimento do portal e de seus responsáveis é evidente. O TemQueVer logrou o que muitos tentam, mas poucos conseguem: construir uma identidade editorial sólida, sem perder o frescor da descoberta reflexiva. Há uma harmonia sutil na forma como o site se apresenta, equilibrando o rigor da informação com a leveza da partilha. Ele não se impõe com a arrogância dos grandes portais de notícias; ele acolhe tal como a indicação feita por um(a) amigo(a) que cultiva boas histórias, necessárias de serem contadas.
Em um mundo onde estamos imersos (e perdidos) em um monstruoso nevoeiro de hiperinformação, sendo bombardeados a todo instante por aquilo que “temos que engolir” e sem qualquer direito à contestação, o TemQueVer escolheu o caminho da emancipação intelectual, mostrando o que realmente temos que ver. Cada material aqui publicado, ao longo desta jornada, foi um tijolinho na construção de uma ponte entre o(a) criador(a) de conteúdo independente e a alma de quem busca algo a mais na tela de um dispositivo.
Ao completar seis anos, o TemQueVer não chega a uma linha de chegada, mas, sim, a um belíssimo mirante. Olhamos para trás com o orgulho de quem fincou raízes profundas na preferência de seus leitores; olhamos também para a frente, com o vigor de quem sabe que ainda há muita coisa boa a oferecer ao público que nos acompanha. Poucos sites carregam consigo um lema cuja semântica une perfeitamente a forma ao conteúdo (e vice-versa):
Se TemQueVer, veja aqui!











