Backrooms: Um Não-Lugar

Por Álvaro Nicotti*

Fui assistir ao filme Backrooms no cinema e não me arrependi nem por um segundo. Fazia muito tempo que uma obra de terror não me provocava sensações de angústia e apreensão. Em uma época em que grande parte dos filmes do gênero aposta em sustos previsíveis ou fórmulas já conhecidas, Backrooms consegue construir uma experiência inquietante que permanece com o espectador muito depois do término da sessão.

Inicialmente, imaginei que se tratava de um terror paranormal tradicional. No entanto, conforme a narrativa avança, fica evidente que a proposta é outra. Conversando posteriormente com um amigo especialista em cinema de terror, surgiram algumas definições possíveis para a obra: terror claustrofóbico, terror labiríntico ou até mesmo um “terror labirintonírico”, expressão que parece sintetizar bem a atmosfera sufocante e ao mesmo tempo surreal que o filme constrói.

A produção é baseada na websérie criada por Kane Parsons e inspirada na famosa creepypasta The Backrooms. Para quem não está familiarizado com o termo, creepypastas são histórias de terror que circulam pela internet e acabam se transformando em lendas contemporâneas. O elenco conta com nomes como Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett e Lukita Maxwell.

Mas afinal, o que são as Backrooms?

O conceito surgiu em uma discussão no fórum 4chan, em 2019, e rapidamente se espalhou pela internet. Considerado um dos exemplos mais conhecidos da chamada estética dos espaços liminares, The Backrooms retrata uma extensão extradimensional aparentemente infinita de salas vazias e corredores sem fim. O acesso a esse espaço acontece através do chamado noclip, uma espécie de falha na realidade que faz alguém sair do mundo conhecido — os chamados Frontrooms — e entrar em uma dimensão paralela.

Nesse universo, o visitante encontra um interminável labirinto de ambientes que lembram escritórios abandonados, com salas geradas aleatoriamente, paredes amareladas, cheiro de carpete molhado e o constante zumbido de lâmpadas fluorescentes. A sensação de desconforto nasce justamente da familiaridade desses espaços, combinada com sua completa falta de lógica.

Com o tempo, usuários da internet expandiram a mitologia das Backrooms, criando níveis, regras e criaturas hostis que habitariam esse ambiente. O que começou como uma simples postagem tornou-se uma das mais influentes lendas urbanas digitais da atualidade.

*Professor e editor do TemQueVer

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