ESTADOS UNIDOS – COPA DO MUNDO DE CINEMA

Grupo D: Estados Unidos, Austrália, Paraguai e Turquia

Sede da Copa do Mundo da FIFA pela segunda vez, os Estados Unidos da América (EUA) chegam à sua 12° participação em Mundiais com o intuito de expandir o alcance do football association – denominado por eles como soccer – dentro do país, cuja preferência esportiva tradicionalmente recai sobre outros esportes (basquete, futebol americano, beisebol e hóquei no gelo).

Dentro de campo, caberá a Mauricio Pochettino a missão de fazer os estadunidenses superarem a melhor campanha da história, conquistada na primeira Copa, em 1930, no Uruguai, quando chegaram às semifinais. Como não disputou as Eliminatórias da Concacaf em virtude de ser coanfitrião do torneio, o técnico argentino precisou preparar os Stars & Stripes – alcunha dada à seleção em homenagem à bandeira dos EUA – com base em amistosos realizados nos últimos dois anos.

Ao se referir ao cinema feito nos Estados Unidos, costumamos considerá-lo de forma metonímica como sendo o cinema de Hollywood, a mais importante e influente indústria cinematográfica do planeta. Mas engana-se quem resume a história dos filmes estadunidenses à produção em larga escala no sul da Califórnia, costa oeste do país. Na verdade, nos anos iniciais da sétima arte, era na costa leste dos EUA, mais precisamente em Fort Lee, New Jersey, onde se concentrava a produção de filmes. 

Hollywood começa a se tornar realidade a partir dos primeiros filmes lá feitos por D.W. Griffith, na década de 1910. Sabedores do sucesso de Griffith, muitos cineastas se dirigiram para Hollywood a fim de evitar as taxas impostas por Thomas Edison na costa leste. Eles também foram atraídos pelo clima quente e pela luz solar confiável, o que tornou possível filmar filmes ao ar livre o ano todo e tendo variados cenários naturais à disposição. 

Centenas, talvez milhares de filmes poderiam ser escolhidos para representar os Estados Unidos na Copa do Mundo de Cinema organizada pelo TemQueVer e pelo Cine Mulholland, desde obras do cinema silencioso (outrora chamado de mudo), do período da Nova Hollywood, do cinema independente ou mesmo do cinema indie contemporâneo. Preferimos, todavia, convocar uma obra tida por muitas pessoas da crítica de cinema como o melhor filme de todos os tempos: Cidadão Kane, obra-prima de Orson Welles lançada em 1941. À época, um então jovem cineasta de apenas 25 anos reescreveu a gramática do cinema norte-americano.

É importante lembrar que, naquele período, os filmes hollywoodianos costumavam seguir fórmulas narrativas e estéticas bastante previsíveis. Welles, vindo do teatro e do rádio, e com total liberdade criativa concedida pela RKO Pictures, implodiu essa estrutura em sua sátira escancarada a vida de William Randolph Hearst, o magnata da imprensa estadunidense. Para isso, foi fundamental o trabalho do diretor de fotografia Gregg Toland, que conseguiu, por meio da técnica de alta profundidade de campo, manter o primeiro plano, o plano médio e o fundo perfeitamente nítidos ao mesmo tempo nas cenas. Isso permitia que múltiplas ações dramáticas acontecessem simultaneamente na mesma tela, exigindo maior atenção do espectador para decifrar aquilo a que assistia. Não é à toa, portanto, que o longa-metragem de Welles seja considerado um dos fundadores do dito cinema moderno.

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