Grupo D: Estados Unidos, Austrália, Paraguai e Turquia
Após fazer sua melhor campanha em Copas do Mundo da FIFA na edição disputada em 2010, na África do Sul, o Paraguai não mais conseguiu a classificação. Isto é impressionante, uma vez que, em sua última participação, La Albirroja, como é conhecida a seleção paraguaia, chegou às quartas-de-final, quando perdeu para a Espanha, que viria a ser campeã.
Em 2026, os paraguaios jogarão pela nona vez a Copa, um feito que pode ser considerado uma grande reviravolta, haja vista que a classificação no sexto lugar das Eliminatórias da Conmebol foi fruto de uma recuperação poucas vezes vistas na história da disputa pelas vagas destinadas à América do Sul. Para que isso acontecesse, o técnico argentino Gustavo Alfaro foi decisivo. Com ele, o Paraguai só perdeu uma partida em 12 jogos.

A história do cinema no Paraguai começou em 2 de junho de 1900, data em que ocorreu a primeira projeção de um filme no país, realizada por um representante dos irmãos Lumière. Desde então, a sétima arte se desenvolveu sob um regime de escassez, incerteza e descontinuidade, atrapalhada que foi por fatores de ordem política e econômica. Para se ter uma ideia, o filme longa-metragem 100% paraguaio, Cerro Corá, foi lançado apenas em 1978. Dos anos 1980 para cá, no entanto, o vídeo e, mais recentemente, o formato digital na produção cinematográfica tornou muito menos penosa a vida de realizadores nacionais. Some-se a isso a aprovação, em 2019, da Lei de Fomento ao Audiovisual do Paraguai, um verdadeiro divisor de águas ao criar oficialmente o Instituto Nacional do Audiovisual do Paraguai (INAP) e estruturar os mecanismos de incentivo, produção e distribuição de filmes no território paraguaio.
Como representante do Paraguai na Copa do Mundo de Cinema, o TemQueVer e o Cine Mulholland trazem um filme importantíssimo na história do cinema do país, Hamaca Paraguaia, da diretora Paz Encina. Lançado em 2006, e exibido na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes – oportunidade em que recebeu o prestigioso prêmio FIPRESCI -, foi o primeiro longa-metragem relevante do país produzido desde 1978.
Rodado em 35 mm, Hamaca Paraguaia traz como protagonistas dois idosos sentados em uma rede a reclamar das intempéries do dia e da ausência do filho, que partira para a Guerra do Chaco (entre Paraguai e Bolívia) e possivelmente lá morreu. Deste modo, o filme opera no campo do rigor formal e da semiótica histórica. Sua escolha estética mais radical reside na dissociação absoluta entre o que se vê e o que se ouve. Assim, ele é composto por raros planos-sequência fixos, nos quais a câmera raramente se move. Candida e Ramón, o casal no centro da narrativa, é filmado à distância, quase sempre de costas ou de perfil, imersos em uma natureza que oscila entre o acalento e a opressão. Poucos filmes sul-americanos, no século XXI, ousaram ir tão longe em sua proposta de fazer cinema.


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