Grupo G: Bélgica, Egito, Irã e Nova Zelândia
Decepção na última Copa do Mundo da FIFA realizada no Catar, quando sequer passou da fase de grupos, a Bélgica chega à sua 15° participação no torneio com esperanças de repetir a excelente campanha de 2018, na Rússia, ocasião em que terminou no terceiro lugar. Será a redenção dos Diabos Vermelhos? Não sabemos até onde os belgas irão, mas a julgar pela partida disputada contra Senegal, vencida de virada na prorrogação, a garra demonstrada por eles pode levar a resultados expressivos.
O técnico francês Rudi Garcia assumiu em 2025 a missão de reformular a seleção da Bélgica e levá-la a mais uma Copa. Para isso, os belgas tiveram que superar os selecionados do Cazaquistão, Liechtenstein, Macedônia do Norte e País de Gales pelas Eliminatórias da UEFA.

Para se entender o cinema produzido na Bélgica é preciso, antes, compreender como a sociedade belga se estrutura em termos linguístico-culturais. O país é dividido em três áreas principais, e em cada uma delas prevalece uma comunidade linguística: Flandres, onde se fala o flamengo (de origem neerlandesa); Valônia, região na qual o francês é dominante; e Bélgica Oriental, em que o alemão é a língua mais falada. Essa divisão sociocultural historicamente se refletiu na produção cinematográfica do país.
A primeira projeção pública de um filme na Bélgica ocorreu em 1º de março de 1896, na Galeria do Rei, em Bruxelas. Mas o cinema local só ganha consistência a partir da década de 1930, com a fundação da chamada Escola Belga de Documentário, que contou com nomes expressivos como Charles Dekeukeleire e Henri Storck. Historicamente, vale dizer, a Bélgica sempre esteve espremida entre dois gigantes culturais: a máquina industrial do cinema francês e a sobriedade do cinema alemão/holandês. Até a década de 1970, o país lutava para definir uma identidade cinematográfica autônoma que não fosse mera extensão de seus vizinhos. O reconhecimento internacional veio justamente nessa época, no qual vários cineastas fizeram filmes de grande repercussão fora das fronteiras nacionais. Um deles foi Raoul Servais, que dirigiu Harpya, vencedor da Palma de Ouro de melhor curta-metragem em Cannes, no ano de 1979.
Ao longo das décadas, outros cineastas vêm fazendo história no âmbito do cinema belga: André Delvaux, Felix Van Groeningen (Alabama Monroe) e Lukas Dhont (Close). Todavia, dois nomes em especial se destacam em meio à plêiade cinematográfica nascida na Bélgica: os irmãos Dardenne (Jean-Pierre e Luc) e Chantal Akerman. Os primeiros são conhecidos por sua abordagem cruamente realista de temas e personagens da classe trabalhadora em filmes como conhecidos por sua abordagem cruamente realista de temas e personagens da classe trabalhadora como Rosetta, O Filho, A Criança, O Garoto de Bicicleta e Dois Dias, Uma Noite.
Mas a verdade é que o ápice da sétima arte na Bélgica pode ser encontrado nas obras da diretora Chantal Akerman, das mais radicais e influentes do século XX, focando no cotidiano feminino, na solidão e na relação entre espaço e tempo. Suas marcas registradas são planos longos e o silêncio calculado. Ela foge da manipulação emocional barata e prioriza a vivência realista. Diante disso tudo, não poderia ser outra a nossa escolha para a Copa do Mundo de Cinema: Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles, estrelado pela atriz Delphine Seyrig. Lançado em 1975, o longa-metragem, no ano de 2022, foi eleito como o melhor filme de todos os tempos pela prestigiada revista britânica Sight & Sound.
O filme acompanha três dias na rotina de Jeanne Dielman, uma viúva que cuida do filho adolescente e realiza tarefas domésticas obsessivas em seu apartamento. No cinema comum, descascar batatas ou lavar a louça dura três segundos antes de a cena ser editada. Aqui, no entanto, Akerman nos obriga a testemunhar o processo do início ao fim, fazendo com que o tempo deixe de ser um veículo para a narrativa e passe a ser o próprio tema.


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