Fievel e James Horner

Por Álvaro Nicotti*

Uma das coisas que costumo fazer enquanto trabalho é deixar uma trilha sonora tocando ao fundo. De preferência, música instrumental. Na maioria das vezes, trilhas de filmes, que ajudam a criar um ambiente de concentração sem disputar espaço com as palavras.

Foi em uma dessas noites que o algoritmo do Spotify trouxe uma nostalgia lá da década de 1980. Entre tantas composições, começou a tocar um tema de Fievel – Um Conto Americano.

A música é assinada por James Horner, um dos maiores compositores da história do cinema. Dono de um estilo melódico e emocional facilmente reconhecível, Horner construiu uma carreira marcada por trilhas que ajudaram a definir a identidade de inúmeros clássicos. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão Titanic, Coração Valente, Apollo 13, Avatar, Uma Mente Brilhante, Campo dos Sonhos e Lendas da Paixão.

Nascido em 1953, em Los Angeles, Horner estudou composição musical na Inglaterra e nos Estados Unidos antes de iniciar sua trajetória em Hollywood. Ao longo de mais de três décadas, compôs trilhas para mais de uma centena de produções, recebendo dez indicações ao Oscar e conquistando duas estatuetas por Titanic: uma pela trilha sonora original e outra pela canção My Heart Will Go On, interpretada por Celine Dion. Sua carreira foi interrompida precocemente em 2015, quando morreu em um acidente aéreo, deixando um legado que continua emocionando espectadores em todo o mundo.

Lançado em 1986, Fievel – Um Conto Americano foi dirigido por Don Bluth e produzido por Steven Spielberg, em um período em que Spielberg também apostava na animação como forma de contar histórias para toda a família. O longa acompanha a jornada do pequeno ratinho Fievel Mousekewitz, que deixa a Rússia com sua família em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos, mas acaba se separando dos pais durante a travessia do Atlântico. A partir daí, o filme constrói uma narrativa sobre imigração, esperança, pertencimento e reencontro, temas que permanecem atuais quase quarenta anos depois de seu lançamento.

Muito além da delicada animação, é a música de James Horner que amplifica cada sentimento vivido por Fievel. Sua trilha alterna momentos de encantamento, melancolia e esperança com uma sensibilidade rara, tornando-se parte inseparável da identidade do filme. Talvez seja justamente por isso que, tantos anos depois, bastem alguns acordes para despertar lembranças que pareciam adormecidas.

Escute a trilha CLICANDO AQUI

*Professor, pesquisador e editor do TemQueVer

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