Um diálogo para a torcida do Inter

O torcedor toma a palavra:

— O Inter precisa de uma reforma política urgente! A começar pelo Conselho! Por que 200 conselheiros? Estamos assistindo o pior momento da história do Inter: são 15 anos sem títulos, uma queda para a série B, risco real de perda da hegemonia do estado. Não é só essa gestão a culpada, são todos os grupos políticos dentro do Inter! Precisamos urgente de uma Frente que una o clube. Não será qualquer reforma que vai nos tirar dessa.

O conselheiro responde:

— Uma “frente” de quem? Se tu queres acabar com os conselheiros… seriam quem? Ah, são 300 mais os natos, os membros do conselho. Os conselheiros que fazem oposição ferrenha a esse patife que dirige o clube é culpada de que?

O torcedor retruca:

— Não disse que são culpados, tu que fizeste essa interpretação. O Internacional precisa de uma reforma política. Esse formato de conselho é um dos pontos que devem ser abordados, além de muitas outras renovações necessárias para que possamos acompanhar o novo formato do futebol. Pela tua manifestação, entendo que és conselheiro do clube. Quero deixar claro que não sou contra os conselheiros e nem contra a função que exercem, mas sim contra o formato atual do Conselho e o seu inchaço. Além disso, parece haver um outro problema evidente: um viés corporativista. Isso porque minha manifestação foi interpretada de forma equivocada, e tua resposta veio mais no sentido de defesa do grupo do que de abertura ao diálogo. Fica a impressão de pouca disposição para refletir sobre a crítica que apresentei.

O conselheiro insiste:

— Não. Apenas apontei tua contradição e esse papo comum “o conselho é culpado”… Se não fosse parte do conselho, esse incompetente e perdulário do Barcellos teria entregado o Beira Rio na votação das debentures.

O torcedor responde, já sem esconder o incômodo:

— Mas tu ainda não entendeu: eu não apontei o conselho como único culpado. Tu estás preso a essa administração péssima, mas ignora que estamos vivendo a pior crise da história do clube — e isso inclui, no mínimo, os últimos 15 anos. Foram 15 anos de sabotagem entre grupos políticos, 15 anos de disputas internas em que interesses pessoais falaram mais alto do que o coletivo. Grupos ligados ao próprio conselho também participaram dessas articulações para derrubar uns aos outros. É preciso encarar isso de frente, sem distorcer o que eu disse. Ninguém está isento — a responsabilidade é de todos vocês. Meu filho tem 15 anos e ainda não viu nada relevante do clube por causa desse cenário. E isso é consequência direta da falta de humildade, de autocrítica e de compromisso coletivo. Já passou da hora de parar, refletir e mudar. Reforma política no clube, já.

O conselheiro não mais respondeu.

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