TCHÉQUIA – COPA DO MUNDO DE CINEMA

Grupo A: México, África do Sul, Coreia do Sul e Tchéquia

A Tchéquia – nome estranho para nós brasileiros, mas que é a recomendação feita pelo Estado tcheco para substituir o antigo nome República Tcheca – chega à sua 10° participação em Mundiais da FIFA. Na verdade, o futebol do país em Copas do Mundo remonta aos templos gloriosos da Tchecoslováquia, vice-campeã nas edições disputadas em 1934 e 1962, respectivamente na Itália e Chile. A última participação ocorreu há vinte anos, em 2006, na Copa da Alemanha.

Para chegar à Copa do Mundo deste ano, Nároďák (que significa A Seleção Nacional, apelido carinhoso do escrete tcheco) precisou ganhar a vaga por meio das repescagens da UEFA. Na ocasião, treinada pelo veterano Miroslav Koubek, a Tchéquia venceu Irlanda e Dinamarca, ambas as vezes nos pênaltis.

No contexto do Leste Europeu, o cinema tcheco foi um dos primeiros a se desenvolver, sendo Êxtase, de 1933, o primeiro sucesso internacional do país. Após a invasão da Alemanha hitlerista ao país, a sétima arte sobreviveu graças à Faculdade de Cinema e Televisão da Academia de Artes Cênicas (FAMU). Esta, após o término da Segunda Guerra Mundial, quando a Tchecoslováquia passaria a orbitar a zona de influência da União Soviética, viria a se especializar na produção de animações com bonecos em stop motion.

Assim como a França vivenciou a Nouvelle Vague, a Tchecoslováquia, no período da década de 1960 até o início dos anos 1970, também vivenciou a Nová Vlna (Nova Onda Tcheca). De intensa criatividade e experimentação, bem como eivada de nuances críticas ao regime comunista, essa fase marcou a Era de Ouro cinematográfica do país, legando grandes cineastas como Miloš Forman, Jiří Menzel, Věra Chytilová, Jan Němec, Jan Švankmajer, Karel Zeman, Vojtěch Jasný, Ivan Passer etc.

Em 1968, o longa Trens Estreitamente Vigiados, de Jiří Menzel, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mais contemporâneo, o diretor Jan Svěrák, em 1996, voltaria a dar ao país, já sob o nome de República Tcheca, mais uma estatueta do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com o filme Kolya, uma Lição de Amor.

O representante da Tchéquia na nossa Na Copa do Mundo de Cinema não poderia ser outro: As Pequenas Margaridas (Sedmikrásky, no título original em tcheco). A escolha se deve pelo fato de que este longa, obra-prima da diretora Věra Chytilová, trata-se de um dos filmes mais importantes e formalmente mais “desconstruídos” já produzidos por uma mulher em toda a história do cinema mundial. 

De bases narrativas feministas, o longa foi lançado em 1966, antecedendo, portanto, o período de breve abertura política e cultural que culminaria no episódio da Primavera de Praga, em 1968. O filme opera como uma bomba de fragmentação estética que implode tanto as convenções do realismo socialista quanto as estruturas narrativas do cinema clássico. Montagem dialética, experimentação radical, cromatismo psicológico, abordagem niilista e o uso de técnicas de colagem que remetem ao dadaísmo e ao surrealismo caracterizam esse filme de mise-en-scène única e inconfundível.

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