Grupo A: México, África do Sul, Coreia do Sul e Tchéquia
Em 2026, a Coreia do Sul chega à 12° participação em Copas do Mundo, sendo a 11° participação seguida. A melhor campanha dos sul-coreanos, conhecidos como os Tigres Asiáticos, ocorreu em 2002, quando o país sediou o torneio organizado pela FIFA, juntamente com o Japão. Na ocasião, empurrada pela sua fanática torcida, a equipe assombrou o mundo ao alcançar as semifinais e terminar em quarto lugar na competição.
Sob o comando de Hong Myung-bo, ex-jogador, a Coreia do Sul finalizou as Eliminatórias da AFC de maneira invicta – algo até engraçado, já que a seleção antes havia passado por duas trocas de treinadores nesse ciclo para a Copa do Mundo disputada na América do Norte.
Na área cinematográfica, o desenvolvimento do país foi tardio em relação aos seus vizinhos asiáticos, Japão e China. Somente após a Guerra da Coreia (1950-1953) a sétima arte começou a ganhar tração, sobretudo com o lançamento, em 1960, do clássico Hanyo, a Empregada. Veio a ditadura militar e a forte censura atrapalhou bastante os rumos cinematográficos sul-coreanos.
A partir da década de 1990, dentro do contexto de consolidação da democracia, a coisa deslanchou pra valer graças aos investimentos privados de empresas como a Samsung, à safra de cineastas saídos de escolas de cinema e ao crescimento da importância do Festival de Busan a nível continental e internacional. Nas últimas quatro décadas, a Coreia do Sul proporcionou uma leva preciosa de cineastas, cujos filmes cada vez mais ganham destaque e reconhecimento: Kim Ki-duk, Hong Sang-soo, Park Chan-wook, Bong Joon-ho, Lee Chang-dong, Yeon Sang-ho, Jee-Woon Kim, Na Hong-jin, entre muitos outros nomes.
Sobre o cinema sul-coreano contemporâneo, vale destacar que ele se insere no âmbito da Hallyu, a onda coreana de cultura pop que varreu o planeta no século XXI. Incentivada pelo Estado sul-coreano como uma forma de impulsionar o desenvolvimento econômico nacional, essa onda transformou o país numa referência global em soft power, levando os K-dramas (ou doramas), o K-pop e outras manifestações culturais até mesmo ao Ocidente.
Portanto, não é à toa que Parasita, de Bong Joon-ho, tenha ganhado o Oscar de Melhor Filme, primeira vez que um filme dito internacional conquistou tal feito. Não à toa, também, a Coreia do Sul é um dos poucos países do mundo no qual o cinema produzido a nível nacional é mais visto pelo público do que o cinema de Hollywood.
Na Copa do Mundo de Cinema, o TemQueVer Cinema e o Cine Mulholland escalaram para representar o cinema sul-coreano o filme Certo Agora, Errado Antes, dirigido por Hong Sang-soo, ganhador do Leopardo de Ouro no Festival de Locarno. Seguindo a mise-en-scène das obras anteriores e posteriores do cineasta, um dos mais prolíficos e consistentes em atividade no mundo, este longa-metragem se destaca pelo seu tom intimista e minimalista existencial, planos estáticos e longos, uso idiossincrático do zoom e por personagens cujas ações remetem à alçada do trivial, como uma conversa num templo ou um encontro para comer e beber.
O filme se estrutura em um duas partes bem rigorosas. Na primeira metade, acompanhamos o diretor de cinema Ham Chun-su (Jung Jae-young) e a pintora Yoon Hee-jung (Kim Min-hee), uma pintora local. Eles conversam, tomam café, bebem soju, visitam amigos dela. O encontro termina em desconforto e frustração mútua. Na segunda metade, o filme recomeça. Personagens, cenários e situações são basicamente os mesmos; todavia, sutis variações de tom, honestidade e autoconsciência transformam completamente o resultado da interação entre essas pessoas.


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