CANADÁ – COPA DO MUNDO DE CINEMA

Grupo B: Canadá, Bósnia e Herzegovina, Catar e Suíça

Patinho feio do futebol na América do Norte, o Canadá disputará em 2026 apenas a sua terceira Copa do Mundo da FIFA – as participações anteriores foram em 1986 e 2022. Como um dos três países-sede desta edição, não necessitou passar pela Eliminatórias da Concafaf

The Canucks, como é conhecida a seleção nacional canadense, chega ao torneio sob a liderança do estadunidense Jesse Marsch. Com o apoio do torcedor local, responsável pelo crescimento vertiginoso do futebol no país, o Canadá espera conquistar a sua primeira vitórias em Mundiais e, de quebra, passar para a segunda fase.

No que diz respeito ao cinema canadense, a vizinhança com os Estados Unidos e o fato de possuir o inglês como uma de suas línguas oficiais representam tanto uma bênção quanto uma maldição para o desenvolvimento cinematográfico do país. Se, por um lado, esses fatores possibilitam facilidade no acesso de seu material humano (cineastas, atores/atrizes, roteiristas etc.) a Hollywood, por outro há de se convir que, historicamente, isso acabou servindo de obstáculo para a construção de uma indústria doméstica de cinema, sobretudo porque muitas produções estadunidenses são gravadas no imenso território canadense.

Os primeiros filmes foram feitos no Canadá antes da virada do século XIX para o XX. Apesar desse começo precoce, as décadas seguintes seriam de grandes dificuldades, haja vista que, ao contrário do que acontecia na Europa nos anos 1930, o Estado canadense não adotou providências sistemáticas que preservassem a atividade cinematográfica nacional. O resultado disso foi a inexistência de obras relevantes a nível internacional por longo período.

Apenas a partir das décadas de 1940 e 1950, com a fundação da National Film Board of Canada (NFB) e o vigoroso crescimento econômico, respectivamente, as coisas começaram a se transformar. Nos anos 1960, houve um impulso na produção de filmes na província de Quebec – a porção francófona da nação -, movimento esse influenciado pela Nouvelle Vague. Nessa época, começaria a se destacar David Cronenberg, talvez o mais famoso diretor de cinema nascido no Canadá. Desse período em diante, e sustentado pela iniciativa estatal de promover incentivos fiscais na área da produção cinematográfica, houve um crescimento significativo  da sétima arte no país, revelando nomes como Claude Jutra, Gilles Carle, Denys Arcand, Guy Maddin, Bruce McDonald, Atom Egoyan, Xavier Dolan, Bruce LaBruce, James Cameron e Denis Vileneuve.

Na Copa do Mundo de Cinema temos como representante do Canadá o longa-metragem As Invasões Bárbaras, de 2003, dirigido por Denys Arcand. Sequência direta de O Declínio do Império Americano (1986), do mesmo diretor, o filme teve grande repercussão internacional, a ponto de fazê-lo vencedor do Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Feito no Quebec, sua importância estrutural e estética reside em três prismas fundamentais: a continuidade histórica, a tensão dialética entre o local e o global, e o choque geracional.

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