Grupo E: Alemanha, Costa do Marfim, Curaçao e Equador
Os Elefantes, alcunha da seleção da Costa do Marfim, disputam em 2026 a sua quarta Copa do Mundo da FIFA. Nesta edição, os marfinenses tentarão avançar da fase de grupos pela primeira vez. A missão caberá ao jovem técnico Emerse Faé, que assumiu o comando da equipe no início de 2024, em meio à Copa Africana de Nações (CAN). O então interino Faé foi responsável por uma reviravolta histórica, levando uma desacreditada seleção ao título do mais importante torneio de futebol de África.
A campanha da Costa do Marfim nas Eliminatórias africanas não poderia ter sido melhor: dez jogos de invencibilidade, sem um único gol sofrido. Mas engana-se que a disputa foi fácil, pois até a última rodada os marfinenses lutaram com o Gabão para conquistar a vaga.

No que diz respeito à produção cinematográfica na Costa do Marfim, houve um início tímido nos anos 1960, após a independência do país, quando cineastas marfinenses, geralmente radicados na França, fizeram filmes com uma forte veia documental e educacional. Nas décadas de 1970 e 1980, o cinema local ganhou fôlego ao explorar os choques entre a tradição oral e a modernidade urbana. Um marco fundamental foi o desenvolvimento de produções que adaptavam obras literárias para as telas, refletindo os dilemas da juventude e as dinâmicas familiares nas grandes cidades, como Abidjan. Nesse período, os nomes de cineastas como Timité Bassori e Henri Duparc se destacaram internacionalmente.
Nos dias atuais, a Costa do Marfim detém um dos cinemas mais respeitados em África. Como representante do país na Copa do Mundo de Cinema, o TemQueVer e o Cine Mulholland escolheram um longa-metragem de 1993 intitulado Em Nome de Cristo (Au Nom du Christ, no título original), do aclamado diretor Roger Gnoan M’Bala, vencedor do Étalon de Yennenga no FESPACO (Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou), o festival mais importante do continente africano. Inserido no contexto do cinema cinema pós-colonial africano, o filme se apresenta como uma sátira social cativante e subversiva, que ao equilibrar o trágico e o absurdo, constrói uma das críticas mais contundentes já feitas sobre a mercantilização da fé e o fanatismo religioso na África Ocidental.
Gnamien Ato (Pierre Gondo) é um criador de porcos marginalizado em sua aldeia. Após quase se afogar em um rio, ele emerge alegando ter tido uma visão divina. Assim, se autoproclama Magloire Primeiro, o próprio primo de Cristo, enviado para expurgar a bruxaria e os maus espíritos da comunidade. O que se segue é um estudo fascinante sobre a ascensão de um culto: o carisma messiânico de Magloire rapidamente subjuga a população vulnerável, transformando superstição e repressão em ferramentas de poder e controle político-financeiro. Aqui, o diretor não ataca a religião em si, mas, sim, o vazio existencial deixado pelo choque cultural. A aldeia de Em Nome de Cristo representa o microcosmo de uma África balançando perigosamente entre as tradições ancestrais e a modernidade ocidental importada.


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