Grupo F: Holanda, Japão, Suécia e Tunísia
Nesta Copa 2026, a Suécia alcança a sua 13° participação em Mundiais, sonhando em repetir a melhor campanha conquistada em 1958, quando foi vice-campeã jogando em casa, perdendo a partida final para o Brasil de Pelé, Garrincha e Vavá. Blågult (O Azul e o Amarelo, em tradução, uma referência direta às cores tradicionais da bandeira do país) chega com ânimo, graças à liderança do técnico Graham Potter.
Para obter uma vaga para a edição 2026 da Copa, os suecos tiveram que reverter uma péssima campanha inicial nas eliminatórias europeias, quando terminaram em último lugar de seu grupo. Mas como haviam feito uma boa campanha na Liga das Nações organizada pela UEFA, garantiram, mesmo assim, uma vaga na repescagem, o que lhes deu a oportunidade de derrotar Ucrânia e Polônia e se classificarem.

No cinema, a Suécia demonstra maturidade e profundidade. Não à toa, não apenas possui a indústria cinematográfica mais proeminente da Escandinávia, como também é tida como um dos países da Europa no qual a linguagem da sétima arte mais se desenvolveu. O cinema sueco ganhou destaque inicialmente com o Svenska Biografteatern, estúdio que deu a nomes como Victor Sjöström e Mauritz Stiller as condições para dirigir algumas de suas principais obras, bem como a Greta Garbo a chance de começar sua carreira como atriz.
Após a Segunda Guerra Mundial, emerge no contexto da produção cinematográfica sueca a figura de Ingmar Bergman, um dos cineastas mais aclamados de todos os tempos, responsável por clássicos como O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Persona, Gritos e Sussurros e Fanny e Alexander. Por sua vez, no âmbito do cinema contemporâneo, destacam-se cineastas como Roy Andersson e Ruben Östlund – este último já ganhou duas vezes a Palma de Ouro no Festival de Cannes, pelos longas The Square: A Arte da Discórdia e Triângulo da Tristeza.
Na Copa do Mundo de Cinema, para representar a Suécia foi escolhido uma obra que explora até as últimas consequências as possibilidades dramatúrgicas de constituição da mise-en-scène. Dirigido por Ruben Östlund, Incident by a Bank, de 2009, ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, na categoria curta-metragem. Em seu filme com aura de instalação artística, Östlund se propõe a reconstruir em plano-sequência os acontecimentos ocorridos durante um assalto a banco em Estocolmo, no ano de 2006. Filmado a partir de um plano geral extremo que permite uma visão panorâmica tanto da agência bancária quanto das pessoas que circulam a pé ou em veículos no entorno imediato dela, Incident by a Bank é um retrato perspicaz da sociedade contemporânea, que, em maior ou menor escala, evidencia os males de uma patologia coletivamente cultivada e sentida, cujas causas podem ser encontradas em fenômenos tão diversos como a atomização, a falta de empatia, o hedonismo e a espetacularização do social.
É simultaneamente cômico e grotesco acompanhar o que se sucede do lado de fora do banco, desde os momentos anteriores até o desfecho sem sucesso do assalto. Sentimentos conflitantes são provocados no público graças à habilidade de Östlund ao transformar o cenário da ação numa espécie de palco no qual seus personagens desfilam com naturalidade, transitando em timing preciso diante da câmera afastada que os acompanha por intermédio de movimentos de pan e zoom discretamente executados. Enquanto isso, a encenação, realista em seus aspectos mais formais, assume um tom incrédulo, quase surreal, à medida que as coisas vão acontecendo: o amadorismo circense da dupla de assaltantes; a passividade de dois amigos que filmam o crime em curso em detrimento do acionamento de emergência das autoridades policiais; o gozo despreocupado da felicidade por estudantes universitários em um caminhão etc. Em meio a tudo isso, apenas uma pessoa, um idoso amedrontado porém destemido, emerge como um símbolo de resistência dos valores humanistas ao se colocar como a única pessoa a fazer algo para inviabilizar o assalto.


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