Grupo C: Brasil, Escócia, Haiti e Marrocos
Única seleção pentacampeã mundial. Único país presente em todas as Copas do Mundo da FIFA. Única seleção a contar com alguns dos maiores craques de suas gerações ao longo da história do futebol. Todas esses atributos recaem sobre o Brasil, que viu nomes como Leônidas da Silva, Zizinho, Didi, Djalma Santos, Nilton Santos, Pelé, Garrincha, Vavá, Zagallo, Amarildo, Jairzinho, Tostão, Rivellino, Carlos Alberto Torres, Gérson, Zico, Waldir Peres, Sócrates, Falcão, Júnior, Romário, Bebeto, Dunga, Taffarel, Ronaldinho, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafú, Roberto Carlos, Kaká, Adriano, Neymar e tantos outros mais defenderem a camisa verde-amarela da Seleção Canarinho, a mais pesada e imponente do futebol.
Para jogar a Copa do Mundo de 2026, a seleção brasileira passou por um dos momentos mais críticos de sua história, tendo trocado quatro vezes de treinador durante o ciclo das Eliminatórias da CONMEBOL. Coube ao italiano Carlo Ancelotti a tarefa de resgatar a mística do Brasil e levar o país à sua 23° participação em Mundiais, após terminar em quinto lugar na disputa com seus vizinhos sul-americanos hispanohablantes. Desta vez, não haverá um atleta de referência a liderar a Seleção como nas edições passadas, uma vez que o atacante Neymar, o jogador mais importante da atual geração, quase não foi convocado em virtude de seguidas lesões e da sua vida regada de polêmicas fora das quatro linhas.

Quando o assunto é o cinema, o Brasil não apenas não faz feio, como também é considerado um dos grandes players mundiais, com filmes aclamados por cineastas e em festivais mundo afora. Ao longo de quase 130 anos de sétima arte no país, obras, diretores e diretoras, estúdios, estilos e movimentos fizeram história: Ciclos do Recife e de Cataguases, Atlântida e Vera Cruz, chanchadas e pornochanchadas, Cinema Novo, José Mojica Marins (o Zé do Caixão), Cinema Marginal, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Rogério Sganzerla, Hector Babenco, Embrafilmes, Cinema da Retomada, Novíssimo Cinema Brasileiro, entre tantos e tantos outros. Essa qualidade ímpar do cinema brasileiro levou à consagração de dois filmes em especial: O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962; e Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional no ano passado.
Muitos filmes poderiam representar o Brasil na Copa do Mundo de Cinema. Difícil é escolher; grande, porém, é o nosso compromisso de trazer obras não apenas relevantes, mas que possibilitem, também, uma descoberta que ressignifique o sentido de ser cinéfilo e amar o fazer cinematográfico. Portanto, estamos trazendo como representante brasileiro o longa-metragem Limite, única produção dirigida por Mário Peixoto.
Lançado em 1931, o filme, mais comentado do que visto, trata-se de obra-prima uns 20 anos à frente daquilo que, à época, era feito ao redor do mundo. Se analisarmos Limite sob a ótica do rigor técnico, da inventividade formal e da ruptura com a narrativa clássica, percebemos que seu diretor, então com apenas 22 anos, antecipou discussões que estavam sendo apenas tateadas, sobretudo na Europa. Sua trama é enganosamente simples: dois homens e uma mulher perdidos em um barco à deriva, confrontados com seus passados de fracasso e isolamento. Vanguardista, o filme silencioso de Peixoto recusa-se em contar essa história de forma convencional, utilizando a linguagem cinematográfica (planos-detalhes obsessivos, movimentos fluidos de câmera, ângulos e enquadramentos desafiadores etc.) para proporcionar uma colisão poética e existencial envolvendo as cenas, todas elas filmadas no município de Mangaratiba.


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